
Matéria da Revista Espaço Aberto, 9 de junho de 2009
Por Mariana Franco
O trabalho da psicanalista Maria Rita Kehl, em seu livro O Tempo e o Cão, trata do aumento dos casos de depressão no século 21, diante da aceleração da vida cotidiana.
Nos últimos anos, segundo dados da OMS, a depressão tem aumentado de forma alarmante. Na França, da década de 70 para a década de 80, o número de depressivos aumentou 50%. No Brasil, nos primeiros anos deste século, 17 milhões de pessoas foram diagnosticadas como depressivas.
Nos últimos anos, segundo dados da OMS, a depressão tem aumentado de forma alarmante. Na França, da década de 70 para a década de 80, o número de depressivos aumentou 50%. No Brasil, nos primeiros anos deste século, 17 milhões de pessoas foram diagnosticadas como depressivas.
Partindo desses dados, Maria Rita começou a escrever considerando a hipótese de que a depressão poderia estar se tornando um sintoma social do século 21. Mais que um sofrimento mental que diz respeito a um indivíduo, poderia ser entendida como um problema que se alastra, revelando que algo na sociedade em geral não vai bem.
Segundo a psicanalista, vivemos um período em que, na tentativa de abreviar o tempo com aparatos tecnológicos, acabamos dependentes deles. Ao invés de desfrutar o tempo livre que supostamente teríamos a mais, impomos à nossa vida todo um ritmo acelerado, associado à ideia de que todo tempo (é dinheiro!) deve ser preenchido por alguma atividade.
Esse preenchimento de todo o tempo está aliado a um ritmo de consumo que se aplica à vida. “A nossa é uma sociedade de consumo, porque as pessoas medem o que são e o sentido de sua vida pelo que podem consumir”, afirma ela. Pois assim trabalhamos e nos divertimos, num mesmo afã de produtividade, acabando por atropelar o momento vivido. “Para além do quadro clínico de depressão há um sentimento generalizado de desvalorização da vida, de por que eu vivo, o que vale isso.”
Outra característica de nossa sociedade é a imposição da felicidade: antes de ser um ideal de liberdade e agradabilidade, a felicidade se mostra como uma obrigação opressiva. Devemos estar em conformidade com a empolgação geral, com a imagem que nos passa a mídia e a publicidade de que a vida deve ser de alegria e prazer ininterruptos. “Ora, a felicidade não é uma mercadoria que se possua. Não é uma conquista do ego; ela não para quieta, não nos garante nada. As pessoas sentem-se culpadas por não possuir a tal felicidade, o que as torna ainda mais infelizes.”
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